O RELATO
Depois de passar um tempo em Jerusalém, resolvi ir até Jericó, o sol acabara de se por, então para aproveitar o frescor da noite, pus-me a caminha em direção a Jericó enquanto caminhava fui me distraindo pelo caminho, a noite chegou tão depressa que nem percebi o quanto já era tarde, então não quis parar para descansar e continuei a minha caminhada. Mal sabia eu o que tão breve me aconteceria!
Como ainda estava escuro percebi alguns vultos que se moviam de pressa, com quem se escondia atrás de árvores, de súbito me sobreveio um mal pressagio no coração, percebi então que se tratava de algo terrível, homens de mal intentos no coração. Sim salteadores, me cercaram, e sem que pudesse me defender, levaram tudo o que eu tinha, tirando todo meu sustento, me espancaram muito, inferiram vários golpes por todo meu corpo, deixaram-me muito ferido, por pouco não desfaleci, fiquei muitas horas, caído ao chão como morto!..
Quando o primeiro raio de sol começou a despontar no horizonte, pude ouvir a primeira revoada dos pássaros pela manha que se aproximava, então meu coração alegrou-se quando com minha cabeça encostada ao chão pude ouvir os passos firmes de alguém que se aproximava, trajava vestes finíssimas linho puro, tinha uma túnica tão linda, que com os raios do sol chegavam resplandecer, sim era um homem santo, que apregoava a justiça, o amor ao próximo e compaixão para com seu semelhante. Mas de repente sua face que e era tão simpática, se fechou quando me avistou naquela situação deplorável, então todo amor que esperava dele sumiu como uma neblina com o calor do sol, o amor já não estava em seus olhos, nojo e desprezo foram o que pude perceber em rosto, então me fiz a seguinte pergunta, onde está a verdade que ouvi ele pregar?.Então apressadamente retirou-se para longe de mim, enquanto agonizava em dores no chão, acreditem era um sacerdote...
Passaram-se alguns minutos então comecei a ouvir o som de uma harpa, seus acordes suave, e sua hamonia quase que celestial, penetrava em meu coração de tal maneira que me fez pensar que certamente o socorro havia chegado, mas para minha decepção não foi o que aconteceu, quando aquele que tocava o tal instrumento, me viu ali estendido ao chão, deu de um saldo para traz, no mesmo instante sua harpa cessou de tocar, e sua musica já não era tão sincera como de costume, pois o amor já não estava em sua harpa, nem tão pouco no seu coração, então novamente me veio aquela pergunta ,( onde está a música que eu ouvi ele cantar?), e apressando seus passos, fugiu para bem longe de mim, deixando me ali no chão com dores agonizantes, acreditem , era um levita....
Meu coração estremeceu ao sentir trotes de cavalo, que vinham em minha direção então avistei um cavaleiro que descia a ladeira, alguém que parecia vir de longe, e que ainda seguiria viagem, mas seu aspecto não era semelhante ao meu povo, vendo eu o modo quem se trajava, constatei que se tratava de um certo homem que vivia em cidade próxima por nome Samaria, um local em que os costumes e tradições não condizia com meus princípios, então lembrei-me, que não havia amizade entre nós, por se tratar de um povo por nós rejeitado, não esperava nada dele , não ficaria surpreso se ele passasse sem me olhar, ou simplesmente zombasse de mim , lembro-me de várias vezes cuspir no chão ao ver alguém daquela cidade, verdadeiramente não eram amigos!, Sequer cumprimentávamos e nem ocupávamos os mesmos lugares públicos, para se ter uma idéia, onde um estava o outro não se aproximava, e jamais tomávamos água no mesmo copo. Quando minha esperança já havia se esgotado, senti quem bem próximo aos meus pés ele se achegou, pensava eu que aproveitaria aquele acontecido para revidar as humilhações que outrora sofrera de mim e todos da minha gente, mas para minha surpresa ele abaixou-se, tocou-me com seus pés para certificar-se de que eu estava morto, foi aí que deixei escapar um gemido de dor, ele ficou perplexo ao ver que eu ainda estava vivo então mais do que depressa e tomou-me em seus braços, e neste momento com muita dificuldade pude olhar dentro dos seus olhos, foi neste momento que tudo mudou, consegui enxergar algo incomum, muito além da diferença entre povos e nações,algo que me constrangia a aceita-lo, acreditem, o que me foi negado anteriormente pelos ministros de Deus, aquele homem me ofereceu e deu-me sem reservas, tive a sensação de poder tocar o seu sentimento naquele instante , e pude sentir o palpitar de seu coração movido por uma intima compaixão, um amor profundo, que palavras não poderiam expressar. Estando eu ainda em seus braços, vendo minhas feridas, colocou azeite e vinho, curando-me de uma maneira incondicional, como se não bastasse, colocou-me em seu cavalo, e levou-me com muito carinho e cuidado, abrindo mão de sua cavalgadura para colocar-me sobre ela; então chegamos a um pequeno hotel, onde deu recomendações ao dono do local para que não poupasse cuidado e zelo em meu favor, enquanto eu estivesse lá, deixou com ele valores o suficiente para pagar minha estadia ali, e ainda ficou como meu fiador, avalizando-me em relação à possíveis dívidas que poderia acumular naquele lugar, dizendo que viria e pagaria tudo que eu gastasse. O que me chamou a atenção é que aquele homem não falava a língua dos anjos, não profetizou, não demonstrou conhecer ciências e filosofias, nem recitou um sermão com cinco tópicos ou verdades a ser seguidas, entretanto foi realmente o anjo próximo que esperava. Que amor é esse? Que incondicionalmente se propõe a ajudar mesmo sem conhecer, sem julgar e sem lançar em rosto? O que posso dizer a respeito de tal atitude? O que sei e que ele curou-me, ele salvou-me sem pedir nada em troca, como que se não dependesse de lei, mas simplesmente graça. Com certeza ele possuía o dom de que falta para humanidade, aquele que nos faz amar ao próximo, repeitando-o de uma maneira respecial; reconhecendo-o, como a nós mesmo!. Sim o dom do amor! O que mais posso dizer? Jesus Cristo no revela isso nesta palavra, exponde-se de maneira clara, para que entendamos seu propósito.
Espero que possamos repetir esse feito, quando alguém em situação adversa precisar de nós! Ainda que seja alguém que nos considere um inimigo, ou não compartilhe o nosso estilo de vida ou até mesmo nossa religião.
Que Deus em seu infindo amor abençoe-nos e guarde-nos em todos os nossos caminhos;
Hermanito Ministério
Música, Adoração e Palavra.
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